Análise comparativa.

Este texto visa estabelecer um comparativo, na mídia digital (portais), entre três diferentes reportagens de variadas áreas do Jornalismo Especializado. Aqui buscaremos elencar de forma direta e concisa, como se deu a construção textual, da linguagem, o tratamento com as fontes e o estilo empregado.

Comecemos então pelo portal Fórum, que, por natureza, já possui uma postura mais crítica e incisiva quanto aos mais diversos temas que envolvem atualidades, principalmente, as de caráter político-social.

O Fórum trouxe em 19 de agosto, um dia após a entrevista da presidente Dilma ao Jornal Nacional, uma matéria intitulada ‘Desconstruindo Bonner – Uma análise das entrevistas de Dilma, Aécio e Campos”, onde é possível notar, já na elaboração do título, certo posicionamento do veículo, quanto ao atual período eleitoral brasileiro. O portal em questão destina-se então à, literalmente, desconstruir a maneira em que transcorreu a entrevista da candidata à reeleição em comparação com seus adversários. Sendo que essa comparação é pontuada através da postura do jornalista Willian Bonner, da Rede Globo de Televisão. Logo, o texto é construído para um público-alvo mais específico, que já possua conhecimento prévio diante da política nacional e, até mesmo, do universo jornalístico. De tal modo que a linguagem empregada é tão mais formal e rebuscada, diferentemente, do texto da BBC Brasil sobre a ”mania de selfies” estar passando dos limites e mais diferente ainda da matéria da revista Caras sobre a cantora Ana Carolina. 

Na matéria da BBC Brasil, o público segue sendo específico (pessoas que estão por dentro dos termos atuais das redes sociais) e o texto percorre mais reflexivo e direcionado ao leitor à se destina. Enquanto na segunda, temos um alvo mais abrangente, pois o veiculo se utiliza de linguagem mais acessível e corriqueira para atender ao maior número possível de pessoas interessadas em assuntos comum que dizem respeito ao mundo das celebridades.

Quanto ao tratamento com as suas fontes, no texto da entrevista da Dilma, temos dois autores que permaneceram como observadores diante de um fato televisionado, para que, a partir de suas próprias perspectivas e visões de mundo, pudessem argumentar sobre ele. Por sua vez, a matéria da BBC Brasil  trouxe um especialista para explicar (ou, pelo menos, tentar) um fato que está ocorrendo dentro dos parâmetros da sociedade e, consequentemente, interferindo na estrutura comportamental do indivíduo. Já na revista Caras, temos o jornalista que entra em contato direto com a fonte que ”sofreu” a ação envolta no fato. Logo, em todas as três matérias, compreendemos que as fontes da informação são tratadas de maneiras distintas por várias razões inerentes à linha editorial do veículo de comunicação, mas uma das principais delas refere-se ao direcionamento que se almeja para aquele texto.

Dessa forma, torna-se possível levantar as seguintes questionamentos: Mas tudo isso é Jornalismo? Como delimitar e/filtrar o que é ou não? As divergências entre diferentes áreas afastam a informação do Jornalismo puro e seco, como o conhecemos? E as semelhanças? Aproximam?

O leque de reflexões é vasto e em frente a esta análise comparativa, pode-se considerar que inúmeros portais/sites têm as suas devidas particularidades bem evidentes e que elas estão interligadas ao conceito de Jornalismo Especializado, pois é ele que está encarregado de atender com eficiência uma camada social (público) mais exigente no quesito obtenção de informação.

O que é o que é: Jornalismo Especializado.

Do decorrer das épocas, informar apenas por informar foi desgastando sua razão de ser. O Jornalismo é uma atividade constante e, por conseguinte, mutável. Logo, alterações relevantes diante do fazer jornalístico tornaram-se imprescindíveis para que o público fosse priorizado como ‘‘indivíduo” repleto de particularidades que merecem a devida atenção daqueles que produzem conteúdo comunicacional.

(Reprodução/Google Imagens)

(Reprodução/Google Imagens)

Dessa forma, em contrapartida ao jornalismo diário, preso à ”conservadorismos” e que se ocupa mais em passar ”por alto” dos fatos, é que surge o Especializado. Como o próprio nome já determina, refere-se, basicamente, ao Jornalismo que busca o aprofundamento comprometido através do foco estabelecido e da segmentação dos temas e/ou meios de comunicação. Assim, o público cria a consciência de que é parte integrante no processo de construção e propagação da mensagem e não, somente, consumidor de informações manuseadas sem maiores cuidados.

Por sua vez, o Jornalismo Especializado engloba variados conceitos, o que depende de autor para autor, sendo também ainda pouco esmiuçado nos corredores das universidades e, por incrível que pareça, nas redações dos jornais. Pode-se também compreender que tamanha prática jornalística está para além da divisão do trabalho por editorias e ainda destacar que tal Jornalismo tem os olhos voltados para o futuro, pois afinal, interliga teoria e técnica aos avanços tecnológicos incessantes, indo pela vanguarda da Comunicação Social.